Fruta Crítica

Viennoiserie é vida!

Primeiramente, o que é viennoiserie?

Pensei em explicar com termos técnicos, ou então dizer que é a “padaria de luxo” francesa, que tem como base a massa folhada e blá, blá, blá. Mas acho mais fácil definir como: a melhor coisa da França! 

Sério!

Sempre me perguntam da gastronomia daqui, o que os franceses comem, quais são os pratos típicos, se a comida é boa, e eu entendo a curiosidade, afinal, a gastronomia francesa é patrimônio imaterial da humanidade. PATRIMÔNIO. IMATERIAL. DA. HUMANIDADE. Pois é, não é brincadeira não.

Mas confesso que não sei responder muito bem a essas perguntas, porque ainda não tive a oportunidade de ir num verdadeiro restaurante francês e comer um prato típico.

Nossa, absurdo!

É, eu sei. Mas vocês precisam entender que não é barato. As “formules” custam em média uns 20€ e se você coloca isso na ponta do lápis dá quase uma semana de mercado. Desculpa, gente, mas estudante pensa assim mesmo. Essa é a vida! Precisamos fazer algumas escolhas no dia a dia.

Mas a minha hora ainda vai chegar! Já separei alguns endereços aqui e pretendo ir em breve.

Voltando ao assunto do post: viennoiserie!

A melhor coisa da França é os pães, de longe. Às vezes você passa nas padarias e vê doces lindos, umas tortas de chocolate maravilhosas, mas aí você compra, come e sente falta de alguma coisa. Nesse caso, açúcar.

Doce muito doce é coisa de brasileiro, é cultural, e a gente sabe o porquê. O Brasil sempre foi um país muito rico em cana de açúcar e, pra mostrar essa riqueza, a gente colocava muito açúcar em tudo. O que que deu? Virou parte da nossa cultura, crescemos com esse paladar e quando nos deparamos com os doces da Europa estranhamos mesmo.

“Meio sem graça, né? Tô meio decepcionada.”, disse eu para a torta de morango.

Mas uma coisa é certa: os pãezinhos! Eles nunca decepcionam. Você pode ir em qualquer padaria de Paris que você vai encontrar um bom croissant. Mesmo! Não precisa ser a melhor padaria pra ter o melhor croissant que você já comeu. Inclusive, esqueça tudo que você entende por croissant.

O croissant faz parte do que entendemos por viennoiserie e, pode acreditar, é outro croissant do que conhecemos no Brasil. Mas vamos por partes.

Voltando do trabalho, passei em frente a uma padaria e senti aquele cheirinho delicioso de pãozinho amanteigado e então tive a ideia de fazer esse post e mostrar para vocês os pãezinhos mais famosos aqui da França feitos com massa folhada (mas massa folhada de verdade!). Vamos começar por ele, o mais famoso:

1. Croissant

Como eu disse antes, esqueça tudo que você conhece por croissant. O croissant daqui é uma coisa de outro mundo. A massa folhada é muito leve e derrete na boca. É daquelas que você dá uma mordida e voa farelo até no seu cabelo.

Duvida? Tentei cortar decentemente um croissant para mostrar como eles são fofinhos e cheios de bolhas de ar que dão leveza à massa.

Bem diferente dos croissants que temos no Brasil, né? Aqui eles são bem sequinhos. A manteiga serve para fazer as camadas da massa, mas não deixam o croissant gorduroso. Ele fica macio por dentro e com uma casquinha deliciosa por fora.

O croissant tem origem austríaca e chegou em Paris entre 1837 e 1839, pelos padeiros austríacos August Zang e Ernest Schwarzer.

2. Pain au Chocolat (Pão de Chocolate)

Croissant já é maravilhoso. Agora pensa num croissant com chocolate. Pensou? Então, é o pain au chocolat!

Ele é simplesmente maravilhoso. Arrisco dizer que é o café da manhã favorito dos franceses. Vira e mexe vejo os franceses apressados andando na rua devorando um “chocolatine”.

“Nossa, Lidia, mas só tem isso de chocolate?”

Pensei nisso, mas olha bem esse pãozinho… Ele é leve! A quantidade de chocolate é bem equilibrada com a massa. Pode comer sem medo que vale muito a pena.

Registros dizem que o pain au chocolat era, antigamente, baguetes forradas com chocolate e depois evoluiu como um Pokémon pra essa coisa maravilhosa com massa folhada.

3. Pain aux Raisins (Pão de Uva Passa)

Amo uva passa (me julguem) e isso faz com que esse seja um dos meus favoritos. É uma mistura de massa folhada, uva passa, creme de confeiteiro, amêndoas e… amor, só pode, porque é muito bom.

Gosto desse pãozinho porque ele é mais “cremudinho” que os outros. Ele é o famoso pão que você não precisa passar manteiga, geléia, nada! Ele já vem maravilhoso, pronto para ser apreciado.

Tentei fazer fotos que correspondessem com a realidade, mas gostaria, na verdade, que vocês pudessem sentir o cheiro maravilhoso que isso tem. É manteiga até dizer socorro, mas é muito bom.

Queria eu ter essa genética francesa pra comer e não engordar, mas, como não tenho, como num dia, corro no outro e me contento com o cheirinho que saí das padarias de Paris.

Todos esses eu comprei na Le Grenier à Pain que fica aqui do lado de casa.

53 Rue du Président Wilson
92300 Levallois-Perret

Essa padaria é bem conhecida aqui em Paris e já vi em alguns sites que eles têm a melhor baguete de Paris. Será?

Tá aí mais um assunto de post. O que vocês me dizem de conhecer as baguetes de Paris?

Bon appétit!

Pierre Hermé – o melhor macaron de Paris?

Como alguns já devem ter visto no Instagram, este abacaxi que vos fala está na França. Depois de muitos e muitos anos de planejamento e dedicação eu consegui entrar na tão sonhada Sorbonne e começar minha pós-graduação em Mídias Digitais.

Sei que esse não é o assunto do post, mas esse momento merece uma introdução. Caso não queira ler, pule a parte cinza 😉

Alguns dirão que foi sorte. Mas, olha… vou te falar, foi tudo, tudo mesmo, menos sorte. Foram anos me dedicando 100% aos estudos e trabalho, guardando o dinheiro que tinha e que não tinha, deixando de fazer e comprar coisas que queria, abrindo mão de amizades, relacionamentos e muitas outras coisas, deixando de viver um pouquinho o presente pensando no futuro. 

Pois, então, depois de muita burocracia, formulários infinitos, cartas de motivação, testes de francês, boas notas e alguns vermelhos na conta bancária…. Esse futuro chegou! 

_mg_5085-2

Pra que tô dizendo tudo isso? Porque eu achava que isso era impossível. Eu e muitas pessoas que cruzaram meu caminho. Já ouvi cada coisa… Ainda bem que eu não escutei. 

Então, o que eu espero com isso é que você se inspire e continue batalhando por aquilo que acredita. Nada nessa vida é impossível. E, caso seu sonho seja igual ao meu e você não saiba nem por onde começar, estou à disposição para contar minha experiência e falar um pouco sobre o processo de aplicação nas faculdades francesas. É só me dar um oi no: lidiaamendola@gmail.com 🙂

Vamos nos ajudar. O mundo precisa disso. Tá, agora vamos para o assunto do post: 

Pierre Hermé – o melhor macaron de Paris? Peu importe.

Polêmica! Qual o melhor macaron de Paris? Acho isso meio relativo. Cada um tem um gosto, o que é bom pra mim pode não ser pra você e por aí vai… Então, a real intenção desse post não é achar o melhor macaron de Paris, mas sim experimentá-los e ver suas diferenças e particularidades.

Entre os macarons mais famosos estão: Ladurée, Pierre Hermé, Fauchon, Paul, Sadaharu Aoki…

Bom, deu pra perceber que todo mundo quer uma fatia dessa pizza, né? São muitas marcas disputando a posição de melhor macaron. Eu comecei pelos macarons da Pierre Hermé.

Confesso que pensei em começar pela Ladurée, mas a loja é tão linda que dá até medo de entrar. Eu tava toda mendiga fazendo minha caminhada pela cidade e fiquei morrendo de vergonha de pisar naquele lugar. É intimidador. E olha que poucos lugares aqui são.

Como tudo fica ali pertinho, passei reto pela Ladurée e entrei na Pierre Hermé, que estava lotada de gente, franceses e turistas. A loja da Pierre Hermé é pequena e discreta, mas bem organizada e tudo tem uma apresentação incrível.

Os macarons ficam expostos no balcão e você pode escolher qual deseja levar. Eles têm várias opções de caixinha e embalagens. Escolhi a de sete macarons e peguei um de cada sabor, claro.

embalagem

A caixa é incrível de linda. As laterais têm ilustrações super fofas de pontos turísticos da cidade e, claro, Pierre Hermé e seus famosos macarons. Tudo é feito com um cuidado incrível.

_mg_5210

Peguei um de cada dos disponíveis na loja no dia: pistache; chocolate; chocolate com maracujá; caramelo; rosas (?), lichia e framboesa; avelã praliné; e limão com avelã praliné.

Não comi todos porque né… sete macarons numa tacada só, valha-me Deus. Mas posso dizer que, dos que comi, o de caramelo é o mais maravilhoso. O de chocolate é muito bom, mas eu esperava algo parecido com brigadeiro, bem docinho. Mas não, é francês. É chocolate amargo. É maravilhoso? É sim. Mas eu realmente esperava uma coisa mais “confort”.

_mg_5223

Como ainda não consigo fazer comparações, só tenho a dizer que os macarons Pierre Hermé são deliciosos. Eles cumprem todos os requisitos do macaron: massa com uma camada fininha e crocante, derrete na boca e recheio bem aveludado. Leve e doce na medida certa. Forte concorrente.

Comi alguns macarons no Brasil e o que mais se aproxima dessa primeira experiência francesa é o da Paradis. Isso porque eles importam os ingredientes da França.

_mg_5214

Essa caixinha me custou €18 (aprox. R$ 65, mas, como diz o lema do viajante: quem converte não se diverte). Digamos que seja um valor ok pela fama e que valha totalmente a pena, mas é carinho. Ainda mais quando você é uma estudante não bolsista. É praticamente o valor de um “prato do dia” na maioria dos bistrôs da cidade.

Mas recomendo! Pelo menos uma vez na vida. Vir pra Paris e não experimentar seria um dó. Sem contar que você não precisa comprar a caixinha, você pode escolher quantos macarons levar. O valor unitário é de aprox. €2,60. Então, voilà!

Assim que minha situação financeira permitir, experimento outros macarons e conto pra vocês. Combinado?

Bon appétit!

Testando: Bolo de Banana Invertido

Categoria nova no Fruta. Aeeeeeeee!

E essa categoria, testando, funciona assim: eu pego uma receita de outra pessoa e faço pra ver se dá certo e se é tudo isso mesmo que parece. Sem enganação. Deu certo: eu posto. Deu errado: também. E aí, curtiram?

E a primeira receita dessa categoria é: Bolo de Banana Invertido da Dani Noce.

Quem me conhece sabe que sou apaixonada por essa mulher. Tudo que ela faz parece gostoso. Eu posso não cozinhar nada, mas eu vejo todos os vídeos dela. Tudo é bonito: a comida, as imagens, a produção, o cenário.

Dani, quando eu crescer quero ser igual a você. Um beijo, sua linda. ❤

Bolo Banana Invertido

Pela foto já deu pra perceber que a receita deu certo. Mas confesso que não é a primeira vez que faço e, conforme fui testando, mudei algumas coisas.

Essa é a receita original da Dani, os ingredientes e o modo de preparo estão no vídeo e também no site dela, bem aqui. Vocês podem acompanhar e fazer do jeitinho que ela faz, mas as dicas pra esse bolo ficar ainda mais gostoso eu coloco mais embaixo.

O que eu mudei…

1. uma coisa simples: o sentido do corte da banana. Acho mais prático cortar a banana em rodelinhas e o bolo fica bonito e gostoso do mesmo jeito. Mas faça do jeito que preferir, isso não interfere no resultado final.

Bananas

2. mais caramelo e com açúcar mascavo: quando fiz a receita pela primeira vez, li nos ingredientes “duas xícaras de açúcar” e coloquei tudo no caramelo. Sendo que era uma xícara na massa e outra pro caramelo. Resultado: caramelo que não acabava mais. Como caramelo nunca é demais, mantive as duas xícaras, mas passei a usar uma xícara de açúcar refinado e outra de açúcar mascavo. O caramelo fica mais escurinho, encorpado e gostoso.

Caramelo2

3. banana na massa: como se a receita já não fosse pornográfica o bastante, bora botar banana no meio. Isso mesmo: banana nele. A receita original não leva banana na massa, mas a primeira vez que fiz achei ela um pouco sem graça. Tentei adoçar mais, colocar essência de baunilha, mas nada me agradou. Então resolvi amassar duas bananas e integrar à massa. Bingo!

Acho que não tem muita regra quanto ao momento de colocá-las. Mas eu sempre coloco depois da manteiga e bato junto com a mistura. Banana na massa é tudo de bom, principalmente por causa disso:

Massa

4. peneire as gemas: por favor, faça isso! Se não corre o risco do seu bolo ficar com cheiro e gosto de ovo. E não dá, cheiro de ovo é broxante. Então peneire bem as gemas, porque o que dá o cheiro de ovo é a película que envolve as gemas. Quando peneiradas, essas películas não passam pela peneira e nem o cheiro de ovo que pode estragar todo o encanto do seu bolinho.

Pronto! Modificações simples que deixam o bolo muito mais gostoso. As dicas 3 e 4 são as principais. Esqueça as outras se quiser, mas, por favor, coloque banana na massa e peneire as gemas.

A receita não é difícil, mas suja uma louça… Organize bem o que vai precisar antes de começar e tenha em mente que ela é feita em várias etapas. Vale muito a pena.

BoloBanana-11

Bon Appétit!

O sorvete de um ingrediente só: manga :)

Além de uma receita dificílima (e deliciosa) de sorvete de manga, este post contém uma técnica ninja para cortar mangas. Preste bastante atenção, meu jovem Padawan. Em breve você estará degustando esse belíssimo mar de manga.

coma

Vamos aos ensinamentos.

Eu gosto de todas as frutas que já comi. Algumas são meio sem graça, como a pitaia, por exemplo, mas outras são maravilhosas, como a manga, abacaxi, fruta do conde, lichia…

O problema é que os sorvetes frutados são sempre uma bela de uma porcaria. As frutas ficam com gosto de detergente e só Deus sabe o quanto de gordura hidrogenada tem naquele negócio. Pensando nisso, fui atrás de alguma receita na internet e voilà!

Quem não ama a internet?

Achei uma receita de sorvete de banana com apenas um ingrediente: banana!
Fiz e nunca comi coisa tão maravilhosa. Fiquei pensando: levando em consideração a consistência da banana, qual outra fruta eu poderia usar?

Manga, a minha favorita, talvez?
Com certeza!

Então, anota aí os ingredientes:

  • Uma manga  < ou quantas você for capaz de comer 🙂 >

manga

E só.

Agora vamos ao modo de preparo e minha super técnica para cortar mangas. Meus amigos dizem que é um pouco ninja, mas é só prática. São muitos anos cortando manga.

Primeiro corte um dos lados da manga, seguindo a borda do caroço.
Isso você já sabe, certo?

corte-a-manga

Pegue o pedaço que você cortou e faça quadradinhos com a faca, mas só na polpa, sem cortar a casca. Deixe a manga quadriculada.

quadradinhos

Então, pegue um copo, coloque na base do pedaço quadriculado e force o copo para dentro da manga, seguindo a casca.

Pronto! Sua manga está cortada em quadradinhos!

use-um-copo2

Assim já estaria muito bom, mas nosso objetivo é o sorvete. Então reserve a manga em um pote e coloque no congelador. Minha sugestão é que ela fique lá por 12h, pelo menos. Mas, se você não quiser esperar tudo isso, pode checar se ela já congelou tentando furá-la com um garfo. Se estiver beeem durinha, já está valendo.

congele-a-manga

Quando sua manga estiver congelada, tire do congelador e bata no liquidificador.

Se você tiver um processador é melhor, mas fiz no liquidificador porque acho mais democrático e queria provar que não precisamos de muitos recursos para fazer essa maravilha.

Ok, você vai precisar de um pouco de paciência e um liquidificador potente. No meio do processo pode parecer que não vai dar certo, mas tenha fé. Chacoalhe o liquidificador, bata nele, maltrate mesmo. Peça ajuda a uma colher e tudo ficará bem.

Bata até que sua manga congelada fique na consistência de um sorvete. E olha que fica mesmo!

Aí é só servir e aproveitar o seu sorvete de manga, o melhor que você já tomou. Confia em mim.

sirva

Não fica lindo? É quase inacreditável, dá tão certo que você se pergunta se foi você mesmo que fez.

Essa receita está no meu Top 10. É uma receita fácil, que usa apenas um ingrediente e o liquidificador. Gosto assim: simples.

E, como eu disse, você pode usar outras frutas, como a banana e o abacate. Não custa tentar com outras, mas certifique-se de que a consistência é parecida e você não vai fazer um gelinho aguado e sem graça. Fiz uma vez com laranja, queria ver a merda que ia dar e… vi. Não dá certo. Não tentei com nenhuma outra fruta, mas continuarei fazendo testes e, oportunamente, postarei aqui os resultados.

Bom, não tenho muito mais o que dizer, somente:

De nada 😉

sorvete de manga

Bon Appétit!

Você conhece o Chef’s Table?

A Netflix anda arrasando nas séries originais. Já temos House of Cards, Orange is the New Black, Daredevil, Better Call Saul, Narcos e, claro, uma série pra quem é apaixonado por comida: Chef’s Table. E é dessa última que eu vim falar hoje.

Chef’s Table é um web-documentário original da Netflix que mostra a realidade de um chef de cozinha, mostra que tornar-se chef é muito mais do que estudar gastronomia ou abrir um restaurante. A série é a realidade, e a realidade, por sua vez, não é tão simples.

Ser chef significa trabalhar muito, ser criativo, reinventar-se sempre, cair, levantar, persistir e acreditar. Eu diria que é uma série indispensável para quem pensa em ser chef um dia, já que, além de fazer sonhar, abre bem os olhos para as dificuldades da profissão.

A série conta, atualmente, com 6 episódios, cada um com 50 min de duração. É viciante! E olha que estamos falando de chefs de verdade e não cozinheiros de metanfetamina, bitch.

Massimo Bottura

O primeiro episódio da série mostra a trajetória de Massimo Bottura (que homem!), um renomado chef italiano, dono (e chef) do restaurante Osteria Francescana, Itália, premiado com 3 estrelas Michelin.

Parênteses:
Pra quem não sabe, o Guia Michelin é um dos mais importantes prêmios da gastronomia (não só da gastronomia, mas estamos falando de comida, então…). É ele que determina quais são os melhores restaurantes do mundo. É tipo o Oscar gastronômico.

O Guia Michelin classifica os restaurantes com estrelas, de 1 a 3. A coisa é tão séria que, em 2003, o chef francês Bernard Loiseau se suicidou, aos 52 anos, só em pensar na hipótese de perder suas 3 estrelas.

Bom, voltando…

Massimo Bottura ganhou meu respeito. O trabalho incrível da Netflix conseguiu mostrar tudo que esse homem passou até conseguir tornar-se um dos melhores chefs do mundo. E olha que não foi pouca coisa.

A história de Massimo é uma mistura de ousadia e persistência sem igual. E a Netflix conseguiu passar isso muito bem com ótimas entrevistas, pesquisas bem feitas e uma fotografia incrível. A série traz fotos do passado de Massimo, os lugares que ele trabalhou, pessoas que ele conheceu e o lindo relacionamento com sua mulher (uma mulher fantástica, inclusive).

Caberia aqui mais um parênteses para falar da relação de Massimo com Lara Gilmore. Afinal, o documentário conseguiu mostrar, de forma, suave, a importância dessa relação para a carreira dele. Lara foi parte fundamental do sucesso de Massimo. Isso nos faz pensar não só na nossa vida profissional, mas também na importância das pessoas que temos ao nosso lado. Cara, é muito bonito.

Não falo mais, já que não quero estragar a surpresa e realmente recomendo que assistam a série para conhecer. Os ensinamentos e curiosidades vão muito além da comida em si, da carreira de chef. Tudo que se passa em Chef’s Table é um retrato da vida, daquilo que queremos e estamos dispostos a fazer para conseguir.

Bom, se você ainda não se convenceu, dá só uma olhadinha no trailer:

A série foi feita com muito cuidado e acredito que agrade muito mais do que só os amantes de comida. Eu estou aqui torcendo para uma segunda temporada, com mais chefs incríveis e histórias inspiradoras.
Bon appétit.

Rolê Gastronômico #01: The Burger Map

Como alguns sabem, este abacaxi que vos fala é andreense, ou seja, nasci e cresci em Santo André, cidade com aproximadamente 600 mil habitantes localizada na região metropolitana de São Paulo. Como este é o primeiro post da categoria “rolê gastronômico”, queria trazer algo da minha região, então escolhi o The Burger Map: uma hamburgueria super conhecida do ABC Paulista e vencedora por 4 vezes na categoria Melhor Hambúrguer da Veja Comer & Beber ABC.

O The Burger Map nasceu em 2010, depois que dois irmãos resolveram fazer uma verdadeira expedição pelos Estados Unidos em busca do verdadeiro hambúrguer americano. Durante a viagem, eles perceberam que cada lugar tinha a sua especialidade, então resolveram abrir uma hamburgueria que respeitasse essas particularidades e trouxesse um pouco da cultura americana para o Brasil.

Batata e Cebola

Nossa jornada no The Burger Map começa com as entradas. São mais de 15 opções maravilhosas! O cardápio todo pode ser conferido no próprio site da hamburgueria. Pedi meia porção das Homemade Fries, as famosas batatas fritas que você pode escolher entre a tradicional em palito ou a rústica, que vêm com casca e cortadas de forma mais “grosseira”; e meia das Homemade Onions Rings, rodelas de cebola empanadas e fritas.

As batatas rústicas são sensacionais! Recomendo, até porque batata em palito você come em qualquer lugar. As cebolas são muito boas, mas, quando se trata de hamburgueria, eu prefiro as cebolas empanadas do The Fifties. Elas são mais finas, têm mais massa, mais calorias e, consequentemente, mais sabor.
Não sei, posso estar sendo injusta, pois no cardápio do Burger Map tem um outro tipo de cebola empanada, Onion Strings, que nunca comi e talvez possa ser equivalente a do Fifties. Fica aqui a dúvida e a vontade de voltar lá e experimentar. Quando fizer isso, eu volto aqui e conto pra vocês.

Homemade Tea

O Burger Map tem um menu exclusivo de bebidas, das mais tradicionais aos diversos tipos de cerveja. Essa parte realmente fico devendo para vocês porque não bebo e nem entendo de cerveja. Massss… isso é outra coisa muito legal da casa: o menu dos hambúrgueres vem com pequenos ícones que indicam qual cerveja combina com eles. Mesmo não bebendo, achei demais essa dica de harmonização.

Pra variar, pedi um chá, o Homemade Tea, e achei bem bom. É um pouco mais forte que o chá do Outback, mas com destaque para o chá e não pra Cranberry. Acho que eles podiam testar outras bases de chá pra tentar destacar um pouco mais a fruta. Tirando isso, achei ótimo: leve e doce no ponto certo.

Outra coisa interessante é que as bebidas vêm nesses potes legais que parecem vidros de palmito. É tipo casamento com o Elvis em Vegas: brega pra caramba, mas eu faria do mesmo jeito. Gosto dos vidros de palmito, me julguem.

Vamos falar de hambúrguer? 

Cara, o cardápio é louco demais. Tem muita opção, você se perde, quer tudo e acaba escolhendo por eliminação. Já fui no Burger Map umas 3 vezes e sempre pedi uma coisa diferente. Posso garantir que, dessa vez, fiz a melhor escolha de todas, o Blue Ring Burger (R$33): hambúrguer, molho barbecue caseiro (sensacional!), bacon, onion ring e queijo gorgonzola. Que hambúrguer é esse, amigos?

Burger

Esse burger é maravilhoso. Sem palavras. Você escolhe a forma que você quer o seu hambúrguer: mal passado, ao ponto ou bem passado, e a mágica fica por conta deles. O Blue Ring Burger tem uma camada generosíssima de queijo gorgonzola cremoso, colocada dentro da rodela da onion ring. O queijo deixa o burger um pouco mais salgado do que eu gostaria, mas não deixa de ser maravilhoso e harmonizar muito bem com o barbecue.

Comi e comi demais, mas como o compartimento do doce é diferente dentro do nosso organismo, pedi uma torta de maçã sem pudor nenhum.

Apple Pie

Acho que posso dizer que foi a MELHOR torta de maçã que eu comi até hoje. Sem exagero. A Apple Pie é simplesmente maravilhosa. Maçãs bem escaldadas com canela, caramelo delicioso, massa leve e fininha e um sorvete de baunilha que, além de dar o choquinho quente/frio, quebra um pouco o doce do caramelo. Achei que fosse sair de lá com a consciência pesada, mas vale cada caloria. Amanhã a gente sai correndo por aí e tá tudo certo.

Curiosidades

01. Se você for uma pessoa com potencial, você pode tentar o desafio do Burger Map: o THE BURGER MAP MOUNTAIN. Um lanchinho de 1,3 kg que se você comer em 30 min… não paga. Parece uma boa, mas já adianto que é bem difícil. Fui uma vez no Burger Map e pedi uma versão “mini” dessa coisinha, olha… tenso. É muito cheddar, muita batata, muito bacon, muito tudo. Na casa tem um painel com fotos de quem tentou, vai lá e vê se te inspira.

02. O Burger Map também acolhe muito bem os vegetarianos/veganos com 4 opções de “vegan burgers”. Ouvi falar muito bem (:

03. Também tem hotdog!

04. O lugar é super bonito, bem decorado, música boa. Agradável em todos os sentidos.

Resumindo

Vale a pena, e como vale. Fomos em duas pessoas, pedimos as entradas, 3 bebidas, 2 burgers e a sobremesa, dividimos e cada um pagou cerca R$65. Saímos super satisfeitos… rolando, na verdade.

O Burger Map fica numa região muito boa de Santo André e, embora tenha estacionamento no local, não é difícil de achar um lugarzinho na rua.

Além de tudo, o ambiente é super agradável. Ótimo para ir com amigos, bater papo e comer hambúrguer de verdade.

Orgulho do meu ABC com um lugar tão legal e de qualidade excelente. Recomendadíssimo!


O The Burger Map fica na Rua das Aroeiras, 442, Bairro Jardim – Santo André/SP.

www.theburgermap.com.br

 


Bon appétit!

Oi, tudo bom?

Já tive mais de 20 blogs na vida, mas continua sendo difícil escrever um post inaugural. Mas, como sempre dizem: comece do começo. Então vamos lá.

Sempre senti dificuldade em absorver a informação do mundo, ainda mais depois da internet. Sempre vi os meus amigos com suas paixões muito bem definidas. Uns são apaixonados por música, outros por séries, quadrinhos, esportes… E eu sempre gostei de experimentar um pouco de tudo, acho, inclusive, que essa é a parte mais mágica de conhecer gente nova e mergulhar no universo delas.
Puta confusão! Às vezes você entra num mundo totalmente diferente do seu. Um mundo grande pra caramba. Cara, que coisa maravilhosa! Essa confusão, as coisas novas para ver e aprender aguçam minha curiosidade e me tornam uma pessoa de fases e paixões diversas.

Mas uma coisa é certa: comida é a paixão que sempre prevalece.

Você pode falar do último filme do Tarantino enquanto come um pedaço de pizza. Do livro do J.J. Abrams enquanto come uma porção de fritas no bar. Da melhor formação do seu time enquanto divide um pacote de amendoins. Do último boardgame que você comprou, da loja nova que abriu no Shopping perto da sua casa, da situação política do país, do quanto seu vizinho é mala… Toda boa conversa acompanha uma boa comida.

Por isso que criei o Fruta Crítica. Para falar de uma de minhas paixões sem gourmetização. Não sou chef de cozinha, sou publicitária, mas gosto de comida como todo mundo e acho que podemos compartilhar nossas experiências.

Não vou limitar o conteúdo do blog em algumas linhas explicativas. Então, acompanhe o Fruta para descobrir, junto comigo, seu conteúdo.

Bon appetit!